Eu choro e se choro não é por vaidade ou por forjamento de personalidade. Choro porque necessito esvaziar a alma, choro porque são tantas emoções guardadas. Choro porque preciso, choro porque me faz bem. Grandes emoções me remetem a pequenas lágrimas de arte líquida. Alma de artista é complicada, complexa. O que não sai pela arte, sai pelos olhos. Pensamentos perturbados, emoções fortes, pequenas coisas que ninguém mais sente. Eu sinto. E, ao sentir, só me resta duas alternativas: ou coloco como arte ou será expelido pelas lágrimas. E como não tenho sempre um papel e lápis na mão, é a razão para viver de orber molhadas e cilios grudados. Se choro, é pelo meu bem. Não sei controlar, talvez nunca aprenda. Se me ensinassem, capaz de eu não querer aprender. Eu sou cada lágrima que sai de mim, cada palavra escrita, cada linha traçada. Mudar ou controlar qualquer uma destas seria tentar controlar a mim e aos meus sentimentos. Sou o que sou, impossivel de mudar. Não voltarei atrás e me mal-dizer por começar a escrever estas linhas. Se escrevi por impulsão, é a maior prova do quanto meu chororô se confunde as minhas emoções a flor-da-pele. E garanto a você: nenhuma das minhas lágrimas foi planejada.
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Minha avó Vera é pianista. Ela é do tipo de pessoa que nasceu para a música e que só de ouvir uma melodia, ela ouve as notas gritando dentro da cabeça dela (ex: SOL! LÁ! RÉ! MI!) eu sempre achei isso o máximo e sempre também tive um pouco de invejinha. "Deve ser tão mágico ouvir as notas!" pensava eu (e ainda penso) quando tocava uma música e eu, automaticamente, virava para minha avó e falava "Diz as notas, vó!" Ela me olhava com uma cara de brava por ter lembrado ela disso (ela odeia escutar as notas em vez da música) e começava com seu repertório de sol, lá, ré, mi... E eu lá, maravilhada, encantada. Minha avó também sempre me disse que ficava com notas gritando na cabeça dela, implorando para ela ir para um piano e libertar toda a música que ficava enclausurada em sua cabeça. Dizia que ficava com uma pressão músical horrivel na cabeça, mas só se via liberta quando deixava os dedos soltos nas teclas moles e fazia a música acontecer. Mas dessa eu não tenho inveja pois eu sei exatamente o que ela sente, só que em outro patamar: eu sou assim com a escrita. Eu fico o dia inteiro com palavras, textos, idéias me socando o cérebro, me obrigando a colocar tudo pra fora. É angustiante. Surgem palavras, poemas, narrações em milésimos de segundo na minha mente e, se eu não colocar pra fora e acabar perdendo o que tinha para escrever, é como se fosse uma perda horrivel, como se não tivesse dito algo que pudesse salvar a vida de alguém. E como já dizia a Clarice Lispector, eu escrevo pra salvar a minha vida. Se não fosse a escrita, se não fosse a literatura, o que seria de mim? As palavras são meu psicólogo, minha válvula de escape. Crio textos e episódios baseados em meus sentimentos, quem eu sou de verdade. Nenhum episódio meu surge do nada, sem cunho emocional. Todos sempre fazem parte da minha emoção na hora, de como me sentia. É tudo tão mágico e fantástico, tão surreal de aconchegante, que as pessoas chegam a achar que eu sou louca. Minha avó Vera mesmo é uma que eu não consigo entender como ela não me entende neste aspecto. Ela passa por este mesmo processo enlouquecedor com a música, mas acha estranho eu passar por isso com as palavras. Vai entender, né? Não acho que nenhuma arte seja melhor do que a outra, cada um tem seu valor diante de cada indivíduo e mexe com ele de maneiras diferentes. Sou ligada a todos os tipos de arte, mas nada mexe mais comigo do que a escrita. Tanto é que eu só gosto de uma música quando a letra é boa. Pode ter uma melodia incrível, mas se a letra for um lixo, sem chance. Eu não vou gostar.
Este texto aí de cima (o primeiro) eu escrevi hoje de manhã, antes de dormir. Eu estava indo ao banheiro quando as palavras começaram a brotar que nem flores e eu corri que nem uma desesperada pro meu quarto, peguei minha lapiseira e um caderno e comecei a escrever tudo o que me vinha a cabeça. A caligrafia ficou horrenda parece mais uma pintura rupestre do que qualquer coisa escrita por mim (não que minha letra seja bonita, mas vá, nada barra a letra desse texto). E como eu escrevi no calor da emoção, com as palavras surgindo uma atrás da outra, não vou modificar e nem consertar este texto. Seria como se eu estivesse modificando a sua essencia, o que estava sentindo na hora. Deixá-lo bonitinho e aceitável só irá tirar a real mensagem que eu quis passar. Estética não é tudo em um texto. Uso a escrita para desabafo, para mostrar quem sou. E de manhã, quando eu escrevi este texto, eu era exatamente do jeito que está ali subentendido. Meu eu de agora não pode modificar o eu de antes, somos a mesma pessoa, mas diferentes em diversos momentos.
Planos futuros
Há 9 anos
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